Wednesday, November 10, 2010

Lugar Nenhum

Em "Hotel Atlântico" somos apresentados a um personagem interpretado por Júlio Andrade (de "Cão Sem Dono").Ele não tem nome, nem um destino, apenas vai de cidade em cidade, de hotel em hotel, sem propósito aparente e se o tem também não nos é dito.Escolhendo aleatóriamente sua próxima parada, suas estadias denotam uma despreocupação com dinheiro, e mais tarde saberemos que ele é um ator de telenovelas.
Em suas andanças ele envolve-se com tipos peculiares - um sujeito mal-encarado que lhe propõe uma carona e depois envolve-o numa perigosa trama que poderá lhe custar a vida; um ex-seminarista habitante de um vilarejo no interior de Santa Catarina, cuja companheira, uma simpática gorda, acabará , digamos, lhe cativando a simpatia;e temos também a maravilhosa Mariana Ximenes na pele da filha de um prefeito que tenta a reeleição vinculando falsamente a sua imagem com a do nosso jovem herói andarilho (e as cenas dele aos amassos com ela são quentíssimas).
"Hotel Atlântico" é um filme tão peculiar e estranho quanto seus personagens e as situações que apresenta mas depois dessa estranheza inicial aos poucos somos seduzidos pelo mistério de envolve o personagem de Andrade e nosso interesse é capturado pela expectativa de vermos aonde tantas andanças e encontros o levarão.
Qual seria o seu objetivo? Não se sabe, e talvez nem mesmo ele o saiba.E, afinal, quem já não teve ganas de sair assim, sem destino, nem propósito, apenas seguir para aonde soprasse o vento.
Mas no caso do nosso atormentado ator (sic), ele age como que em busca de alguma coisa, ou talvez tão somente em busca de si mesmo.As partidas e chegadas parecem não lhe fazer a menor diferença, nem mesmo as paisagens que encontra ao longo do caminho lhe são interessantes, ou tão encantadoras quanto a nós, espectadores, presos a nossa lenga-lenga rotineira diária.Não se importa também com a pobreza das acomodações que lhe dão, visto que está sempre de passagem.
Enfim, "Hotel Atlântico" é um filme feito de pequenos episódios, em que muito acontece e nada se explica, nem leva a lugar algum, talvez um pouco como a própria vida, seja a das cidades ou a dos viajantes sem parada.





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