Sunday, February 28, 2010
Como Uma Onda
Poderia um regime autocrático semelhante ao nazi-fascismo eclodir nos dias de hoje? Mesmo com toda a exacerbação da individualidade, do hedonismo e globalização? É essa pergunta que propõe o filme "A Onda", de Dennis Gansel.Nele, um professor do ensino médio decide implantar em sala de aula preceitos típicamente autocráticos a fim de exemplificar aos alunos o que ocorrera nos anos do nazismo e como nossa sociedade ainda é vulnerável a esse tipo de doutrina, aquela em que se exclui quem pensa de forma diferente da maioria, que prega a rigidez de comportamento e a simplificação de conceitos e idéias, personificando toda uma ideologia na pessoa de um líder a ponto de seus seguidores não saberem o que fazer sem o comando desse "ser superior".O experimento do professor dá tão certo que acaba extrapolando as paredes da classe e interferindo na vida da comunidade, exatamente como o nazi-fascismo do começo do século XX.Sendo que o próprio professor acaba perdendo o controle da situação, dominado por seu egocentrismo ao encarnar o papel de líder supremo dos jovens, que adotam o uso de camisas brancas como uniforme e se intitulam "A Onda".
O filme é baseado em fatos reais ocorridos na Califórnia na década de 6o, adaptados para a Alemanha da atualidade, o que só aumenta a sua significação e enfatiza o quanto as pessoas, a despeito de todas as mudanças tecnológicas e de costumes surgidas com o tempo, no fundo, intimamente, continuam as mesmas, com seus preconceitos, frustrações e inseguranças através de gerações.O medo do desconhecido, do diferente, a crença tanto em religiões quanto em superstições são aspectos humanos que não desaparecem nem o farão no futuro, e podem muito bem desencadear um movimento repressivo e fascista.
Saturday, February 27, 2010
DVD - Greetings
É curioso que o primeiro filme de Brian De Palma chame-se "Saudações" (Greetings), sendo que também trata-se da estréia de Robert De Niro nas telas.O ano era 1968, a guerra do Vietnã corria solta, assim como a liberação dos costumes sociais e das formas de se fazer cinema.Nessa época, influenciados principalmente pelos franceses da Nouvelle Vague, um bando de jovens cineastas americanos pôs mãos à obra para reinventar o cinema de seu país ( e é irônico que os cineastas do movimento francês tenham sido influenciados pelos americanos da velha guada - Ford, Hawks - justamente os que a nova geração americana desprezava).
Mas em Greetings, que ao contrário do que possa sugerir a capa do DVD, não é protagonizado por De Niro, o que existe é um livre exercício cinematográfico, cujo ponto de partida é o dilema de três amigos tentando fugir da convocação militar que os levará ao front de batalha no Vietnã.Para isso, imaginam mil subterfúgios para não serem considerados aptos para a guerra - simulam homossexualismo, ultra-direitismo psicótico, lesões físicas, etc.
Em meio a esse dilema, ainda arranjam tempo para confusões amorosas típicas da idade (encontros por computador, voyerismo), sendo que um deles é obcecado pelo assassinato de John Kennedy.
Greetings é um filme divertido mas hoje em dia, depois de tudo o que De Palma e De Niro realizaram em suas respectivas carreiras, o filme surge como mera curiosidade, apenas um registro da fase inicial de dois artistas que logo se tornariam referências em seus campos de atuação.