Saturday, July 26, 2008
Um Allen Hitchcockiano
Ultimamente alguns críticos de cinema vêm implicando com os filmes de Woody Allen.Dizem que anda repetitivo, que não há mais nada o que esperar de seu cinema, etc.Bem, da minha parte, só desejo que seus filmes continuem parecendo uns com os outros, pois todos são muito bons.Mesmo um Woody Allen mediano consegue ficar acima da média dos demais filmes em cartaz, disso já me convenci há tempos.Os dois, no início, relutam, achando a proposta absurda.Mas com tempo, resolvem pô-la em prática, sendo que Ian, antes o que mais se negava, acaba sendo o que melhor lida com a situação e suas consequências, enquanto que o antes propenso Terry, esmagado pelo peso da culpa, chega a quase auto-denúncia, tal como o personagem dostoievskiano Raskolnokoff, de Crime e Castigo.
terry age como o personagem russo mas também poderíamos identificá-lo com Judah de Crimes e Pecados (1988), do próprio Allen, atormentado pela culpa depois de autorizar o assassinato da amante pelo irmão.
Allen, conhecido admirador-seguidor de Ingmar Bergman, aqui mostra o seu lado hitchcockiano.Seu filme, assim como os do mestre inglês possui uma elegância e uma leveza em sua condução que contrasta com as ações abomináveis de seus personagens.Fazendo com que tenhamos até mesmo compaixão dos piores criminosos.
Saturday, July 19, 2008
Made in Godard
A história também é desimportante, mas só para registro, trata-se de uma investigação da morte de um jornalista por sua viúva (Karina).Este é apenas o ponto de partida e o de chegada, pois entre os dois o que há é todo um exercício de cinema livre de amarras.Um filme em que muitas coisas acontecem, mas nenhuma delas têm alguma coerência com o "plot" inicial.Mas tanto faz, pois três minutos de um close em Anna Karina valem mais do que qualquer diálogo que possa haver no filme.E isto, intencionalmente.
Existem várias sequências memoráveis, e todas elas têm a ver com o encantamento que Anna nos provoca.Numa delas, num bar, entre goles de conhaque e a conversa surreal de um sujeito com boina de capitão dos mares, e a voz trêmula e doce de Marianne Faithfull entoando "As Tears Go By", composição de Jagger e Richards, que, na época era sucesso na voz da própria Marianne.
Há também a presença de jean-Pierre Leaud, no papel de um colega abobado do chefe de polícia que investiga a morte do marido de Karina, um jornalista com aspirações literárias, que pretende escrever um romance "sem final".
O filme é pontuado aqui e ali por mensagens políticas, citações de discursos e o claro apoio aos movimentos socialistas-comunistas que ambicionavam subverter a lógica do capitalismo.E o filme subsequente de Godard, "A Chinesa", iria mais fundo nesse tema.