Saturday, October 07, 2006
O Pó Responderá

O livro “Pergunte Ao Pó”de John Fante é um dos mais cultuados romances da literatura americana do início do século passado.Tem tantos fãs quanto “On The Road”, de Jack Kerouac, ou “Almoço nu”, de William Burroughs, ou qualquer título de Charles Bukowski (um fã declarado não só deste livro mas de toda a obra de Fante).Portanto seria de esperar que quando alguém depois de tanto tempo resolvesse adaptá-lo para o cinema, e ainda por cima, alguém com o talento e a experiencia de Robert Towne, que o resultado ficaria no mínimo à altura do livro.
Infelizmente não foi o que aconteceu. “Pergunte Ao Pó”(Ask The Dust), chega a ter um certo charme, mas não é digno da obra de Fante nem da carreira de Towne.
O romance foi publicado em 1939 e a história do personagem principal, Arturo Bandini, confunde-se com a seu criador, John Fante.Bandini é um escritor iniciante, com apenas um conto publicado entre outros autores numa revista bancada pelo consagrado H.L. Mencken ( na vida real, Fante também havia publicado seus primeiros contos na revista The American Mercury, de Mencken).Bandini vai a Los Angeles em busca de experiencia, que segundo pensa, seria essencial para um melhor desempenho como escritor. “Como posso escrever sobre coisas que não vivi?”, define ele.
Mas, no fundo, a única experiencia que interessa a Bandini é a amorosa.E ele logo conhece aquela em quem objetivará seus anseios, a garçonete Camila Lopez.Camila é mexicana, e Bandini mostra o seu lado racista, desvalorizando a moça mas no fundo querendo chamar sua atenção( e mais tarde, o próprio Bandini reconhecerá que o que motivou seu comportamento foi o que sofreu quando jovem nas mãos dos que o chamavam de “carcamano”).Entre tapas e beijos, Camila e Bandini se acertam e dá-se mais importancia ao romance dos dois do que ao romance que Bandini tanto queria escrever.E isso não ocorre no texto original.
Bandini tem um sério problema com as mulheres, não consegue ir pra cama com nenhuma.No livro há um momento impagável, que não existe no filme, em que ele tenta um programa com uma prostituta para conseguir a tal da “vivencia” que tanto almeja.Não só não consegue nada na hora H como acaba pagando mais do que a garota cobrava apenas para compensá-la por seu fracasso, gastando assim todo o dinheiro que havia ganho com a publicação do primeiro conto.
Muito do humor do texto de Fante não está presente no filme de Towne.
A despeito dessas falhas o trabalho dos atores é fenomenal.Colin Farrell vive Bandini e Salma Hayek, Camila, e eles sim, valem os 116 minutos de filme.O que só aumenta a frustração ao sabermos como seus desempenhos mereciam um melhor tratamento de direção e roteiro.Farrell transmite toda a frágil empáfia do patético escritor- de-um-conto-só que já se acha o supra-sumo das letras.E Salma, com uma beleza que vai de singela a exuberante, beleza que a faz crescer aos nossos olhos.Nunca uma baixinha foi tão altamente sensual.É a Camila Lopez perfeita.
Robert Towne, que escreveu e dirigiu o filme, depois de uma espera de 32 anos, é um nome respeitadíssimo no mundo do cinema.Fez o roteiro de grandes sucessos como “Bonnie & Clyde”, “Chinatown”, Shampoo”, “Missão Impossível” I e II.Portanto, esperava-se bem mais do que apresentou, e ainda por cima, sendo ele mais um dos inúmeros fãs dessa obra-prima de John Fante, e como toda obra-prima, difícil de ser transposta para o cinema.
O senso comum de Hollywood diz que os grandes livros geralmente dão filmes medíocres, e os livros medíocres acabam gerando os grandes filmes. “Pergunte ao Pó” não é um filme ruim, simplesmente não conseguiu alcançar seus objetivos.O que não significa que não mereça ser visto.Pois se não soube traduzir em imagens a força das imagens de John Fante, seus anti-heróis estão bem representados por Colin e Salma.
Infelizmente não foi o que aconteceu. “Pergunte Ao Pó”(Ask The Dust), chega a ter um certo charme, mas não é digno da obra de Fante nem da carreira de Towne.
O romance foi publicado em 1939 e a história do personagem principal, Arturo Bandini, confunde-se com a seu criador, John Fante.Bandini é um escritor iniciante, com apenas um conto publicado entre outros autores numa revista bancada pelo consagrado H.L. Mencken ( na vida real, Fante também havia publicado seus primeiros contos na revista The American Mercury, de Mencken).Bandini vai a Los Angeles em busca de experiencia, que segundo pensa, seria essencial para um melhor desempenho como escritor. “Como posso escrever sobre coisas que não vivi?”, define ele.
Mas, no fundo, a única experiencia que interessa a Bandini é a amorosa.E ele logo conhece aquela em quem objetivará seus anseios, a garçonete Camila Lopez.Camila é mexicana, e Bandini mostra o seu lado racista, desvalorizando a moça mas no fundo querendo chamar sua atenção( e mais tarde, o próprio Bandini reconhecerá que o que motivou seu comportamento foi o que sofreu quando jovem nas mãos dos que o chamavam de “carcamano”).Entre tapas e beijos, Camila e Bandini se acertam e dá-se mais importancia ao romance dos dois do que ao romance que Bandini tanto queria escrever.E isso não ocorre no texto original.
Bandini tem um sério problema com as mulheres, não consegue ir pra cama com nenhuma.No livro há um momento impagável, que não existe no filme, em que ele tenta um programa com uma prostituta para conseguir a tal da “vivencia” que tanto almeja.Não só não consegue nada na hora H como acaba pagando mais do que a garota cobrava apenas para compensá-la por seu fracasso, gastando assim todo o dinheiro que havia ganho com a publicação do primeiro conto.
Muito do humor do texto de Fante não está presente no filme de Towne.
A despeito dessas falhas o trabalho dos atores é fenomenal.Colin Farrell vive Bandini e Salma Hayek, Camila, e eles sim, valem os 116 minutos de filme.O que só aumenta a frustração ao sabermos como seus desempenhos mereciam um melhor tratamento de direção e roteiro.Farrell transmite toda a frágil empáfia do patético escritor- de-um-conto-só que já se acha o supra-sumo das letras.E Salma, com uma beleza que vai de singela a exuberante, beleza que a faz crescer aos nossos olhos.Nunca uma baixinha foi tão altamente sensual.É a Camila Lopez perfeita.
Robert Towne, que escreveu e dirigiu o filme, depois de uma espera de 32 anos, é um nome respeitadíssimo no mundo do cinema.Fez o roteiro de grandes sucessos como “Bonnie & Clyde”, “Chinatown”, Shampoo”, “Missão Impossível” I e II.Portanto, esperava-se bem mais do que apresentou, e ainda por cima, sendo ele mais um dos inúmeros fãs dessa obra-prima de John Fante, e como toda obra-prima, difícil de ser transposta para o cinema.
O senso comum de Hollywood diz que os grandes livros geralmente dão filmes medíocres, e os livros medíocres acabam gerando os grandes filmes. “Pergunte ao Pó” não é um filme ruim, simplesmente não conseguiu alcançar seus objetivos.O que não significa que não mereça ser visto.Pois se não soube traduzir em imagens a força das imagens de John Fante, seus anti-heróis estão bem representados por Colin e Salma.