Friday, March 30, 2007
O Retorno Do Judeu

Woody Allen continua arrancando sorrisos.Sua nova comédia, "Scoop", é daquelas que nos fazem desejar que o tempo passe lentamente até que cheguemos ao final.Enquanto o assistia fiquei pensando:" Eu gostaria de viver nesse filme".
Vamos à história, Sondra Pransky (a deusa Scarlett Johansson) é uma jovem aspirante a jornalista que ao participar de um quadro de ilusionismo barato do mágico Sid Waterman (Woody Allen) acaba entrando em contato com o espírito do jornalista Joe Strombel (Ian McShane) que lhe dá a dica sobre quem estaria cometendo uma série de assassinatos femininos em série na cidade de Londres.O culpado, segundo o espírito de Strombel, seria Peter Lyman (Hugh Jackman), abastado filho de um lorde inglês, conhecido por sua doce vida de playboy e suas conquistas amorosas.Sondra decide investigar o caso, arrastando junto o vacilante Sid Waterman.No meio do caminho e do envolvimento com Peter, a jovem acaba se apaixonando por ele e começa a pôr em cheque se ele seria realmente o assassino serial.
Bem, assistir a um filme de Woody Allen é sempre um prazer, ainda maior desde que retornou às comédias.E sua nova parceira Scarlett Johansson encaixou-se perfeitamente num papel que já foi de Diane keaton e Mia Farrow.A história de "Scoop" até poderia se passar em Nova York, cenário da maioria dos longas de Allen, se não fossem certas passagens cruciais que ocorrem em cenários típicamente ingleses: jardins, lagos e até mesmo a geografia da cidade de Londres serve aos propósitos do roteiro.
Uma Londres cinzenta, com fortes ventos mas aconchegante e não muito diferente, afinal, de tão amada NY do diretor.Já foi anunciado que seu próximo filme se passrá na Espanha, também com participação de Scarlett, que, cá entre nós, pode agradecer aos céus ter caído nas graças de Allen, pois sua filmografia alterna momentos altíssimos ("Lost In Translation", por exemplo) com outros apenas medianos("A Ilha", "Uma Canção Para Bobby Long").Se não fosse Woody talvez nunca saberíamos de sua veia cômica e de como se sai bem nela.Johansson ficaria limitada aos papéis de "gostosona-fatal", como em "Dália Negra", de Brian De Palma.
Allen já declarou estar ciente de que comédias não resultam em grandes filmes, e a história dos "melhores de todos os tempos" corrobora essa observação, pois entre os mais lembrados ("Citizen Kane", "Casablanca", "The Birth Of A Nation") quase nunca há uma comédia, todos são dramas.E mesmo em premiações como o Oscar, contam-se nos dedos(de uma só mão) as comédias que levaram o prêmio principal, entre elas, "Annie Hall", do próprio Allen.Sabendo disso o diretor tira proveito da situação fazendo um filme despretensioso e leve, uma comédia ligeira como as antigas "screwballs".Ligeiras mas não superficiais.Ao contrário, a elegância casual de seus filmes é o que faz com que fiquem em nossa memória e provoquem aquela vontade de assistí-los novamente.
Allen também é benquisto por dez entre dez atores, que sonham com um convite para trabalhar com ele.Intuem que fazê-lo é ter a chance de mostrar uma versatilidade em papéis que comumente não desempenhariam teriam .Enfim, o que nos consola ao final de um filme de Woody Allen é que não teremos de esperar muito para encontrar mais um título em estréia, já que geralmente ele lança um por ano.
Cotação: 9
Thursday, March 29, 2007
Diário Querido
Se você quer assistir a um grande filme não vá ver "Notas Sobre Um Escândalo".Agora, se você é fã de Cate Blanchett ou de Judi Dench, o filme foi feito para você.Nele a beleza de Blanchett e a austeridade de Dench sustentam este drama banal mas cuja trama é atualíssima.Pode parecer contradição mas muitas vezes uma banalidade pode gerar uma obra-prima, o que decididamente não é o caso aqui.
Blanchett vive Sheba Hart, uma professora de artes que vai parar numa escola-pública barra pesada em Londres.Lá ela encanta a todos os seus colegas e particularmente à veterana professora de História Barbara Covett (Judi Dench).Outro que cai em suas graças é o jovem Ted Mawson (Tom Georgeson), um aluno de 16 anos, com quem Sheba acaba tendo um caso candlestino.Ela é casada com um homem bem mais velho (e que fora seu professor na faculdade) e tem uma filha adolescente, um ano mais velha do que seu imberbe amante, e um outro que sofre de Síndrome de Down.
A carrancuda sra. Covett também interessa-se por Sheba tanto quanto o jovem Ted, e no mesmo plano que ele.E para azar da jovem Sheba Barbara descobre seu tórrido romance com o aluno.Claro, ciumenta e furiosa, começa a chantageá-la e a o briga a aceitar sua amizade, que aos poucos fará com que se torne cada vez mais "colorida " e afetuosa.
Emocionante?Sim, mas também um pouco previsível.Ou talvez seja o tratamento dado pelo diretor Richard Eyre o que embaça um pouco as coisas.O roteirista Patrick Marber ( o mesmo de "Closer") não dá muito tempo para que as situações se desenvolvam, vai direto ao ponto, e isso num filme de 90 minutos de duração.
Mas o bom mesmo são as duas atrizes, o contraste entre Sheba/Blanchett e sua alvura encantadora e Covett/Dench e suas rugas de mulher velha e maldosa, solitária a ponto de êxtases depois de um mero esbarrar dentro de um coletivo.Covett, a vilã da história, é bem articulada, culta, faz citações literaŕias com a segurança de um "schollar".Enquanto que Sheba é pura intuição e espontaneidade.Já Covett desarma-se apenas quando escreve num diário repleto não só de anotações do seu dia-a-dia mas também de recortes, suvenires e lembranças de amores antigos, como uma típica adolescente púbere e virgem (coisa que a velha professora ainda é ).
Mas apesar dos escorregões "Notas..." é um filme que não faz concessões.Seu final não é feliz.Quem agiu mal não foi punido e ganhou castigo quem rendeu-se às inclinações do coração e do instinto sexual.A hipocrisia, como geralmente acontece na vida real, acaba vencendo.