Saturday, November 28, 2009

DVD - O Fundo do Coração

Como pode um musical, contando uma história de amor, cheio de luzes e cores, com um final feliz, dar errado?Pois isso aconteceu com "O Fundo do Coração"(One From The Heart), de Francis Ford Coppola.O filme a despeito de suas qualidades de direção, cenografia, elenco, levou o estúdio Zoetrope, de Coppola, à falência.
O ano era 1982 e o aclamado diretor vinha de uma experiência seminal, "Apocalyse Now", retrato metafórico e definitivo da experiência americana no Vietnã."O Fundo do Coração" era o oposto daquilo.Uma história de amor levada com uma leveza e técnica inspiradas pela perene tradição hollywoodiana dos musicais.Pode-se dizer que com esse filme Coppola quis se isolar das agruras do mundo, de suas guerras, sejam as da máfia ítalo-americana ("O Poderoso Chefão") ou a das intervenções militares, submergindo num plácido e seguro aquário colorido, longe de todo aquele som e fúria da vida lá fora.
Mas, Coppola não é bobo, sabe que um relacionamento amoroso não é um mar-de-rosas e que existem batalhas também entre quatro paredes.E é em meio a uma delas que encontramos Hank (Frederic Forrest) e Fannie (Teri Garr), que no aniversário de um ano de relacionamento, começam a não ter mais aquela disposição de relevar os defeitos um do outro.Os dois brigam, separam-se e acabam encontrando em outras pessoas aquilo que sonhavam para "parceiro ideal".Ele conhece Leila (Nastasia Kinski), uma linda artista de circo disposta a adorá-lo e aceitá-lo com é, em suas imperfeições e em sua vidinha mediana.E ela encanta-se por Rey(Raul Julia), um malandro sedutor que lhe promete todo o romantismo antes frustrado pelos maus modos do bronco Hank.
Mas o amor tem razões que a própria razão desconhece e não nos sentimos felizes nem mesmo quando conquistamos aquilo que tanto queríamos, ou que pensávamos querer.
A ação toda se passa numa Las Vegas reproduzida em estúdio mas a audaciosa direção de Coppola se dá mesmo entre os cômodos da casa do casal em crise, por meio de um habilidoso jogo de luz e sombra, sobreposições coreografadas como se tudo fizesse parte de um grande balé - destaque para a sequência do ferro-velho, poética do começo ao fim.
Destaque também para a beleza ( e destreza) da jovem Nastasia Kinski que surge como uma Sininho crescida.Raul Julia, soberbo, com seu porte de latin lover, deslizando por números musicais mostrando toda a versatilidade.Frederic Forrest, velho conhecido dos filmes de Coppola (em Apocalipse Now" ele vive o aprendiz de chefe de cozinha perdido no meio da guerra), vivendo um Hank sem modos mas mesmo assim cheio de amor pra dar.E Teri Garr, figura constante em vários grandes filmes dos anos 80, um pouco injustiçada, é a que mais se expõe no filme, mas quem surge no cartaz é a exuberante srta. Kinski.
Fracasso nos EUA de Indiana Jones e "Star Wars", "O Fundo do Coração" teria melhor sorte na época de "Moulin Rouge" e "Chicago", filmes que certamente devem sua inspiração a esta experiência lírica e radical de F.F. Coppola.

Friday, November 20, 2009

Sob o Sol de Mônaco

"A Garota de Mônaco", de Anne Fontaine, até pode ser considerada uma história banal.Bertrand Bouvais (Fabrice Luchini), um advogado bonachão em meio à defesa de um caso complicado no principado de Mônaco, conhece a fogosa Audrey (Louise Bourgoin), uma arrivista social que lhe vira a cabeça, colocando-o em mil apuros a ponto de interferir no seu desempenho no tribunal.
Bertrand é protegido vinte e quatro horas por Tony (Christophe Vandevelde), um parrudo segurança que por coincidência é ex-namorado de Audrey.A empatia entre os dois homens faz com que surja uma amizade além da mera relação segurança/protegido.Tony se preocupa ao ver como o advogado definha totalmente entregue aos encantos e caprichos da loira sexy.Para Bertrand, cego de paixão, ela é apenas uma garota impetuosa e generosa (principalmente com o sexo masculino), sem maldade, e mesmo quando os fatos vão aos poucos lhe mostrando quem ela é na verdade, ele não consegue deixar sua condição de joguete em suas mãos.
Bem, trata-se de uma comédia, mas uma comédia que não acaba bem.O advogado reconhecendo ser incapaz de fugir ao controle que Audrey lhe exerce, implora para que o segurança Tony o ajude a encontar uma solução que a neutralize, e ele a encontra.A única forma de afastar a jovem é dando um fim nela.E Tony o faz sendo depois acobertado por Bertrand que propõe levar a culpa pela morte dela em reconhecimento à lealdade do segurança.
Haveria nessa relação algo mais do que empatia e amizade (como em certo momento Audrey insinua ao próprio segurança)?Ou tudo isso seria apenas ciúme da ex-namorada?
O centro das atenções durante o filme todo é mesmo Audrey, ou antes, a maravilhosa Louise Burgoin.Um sol loiro de longas pernas e olhar libidinoso.Como diria uma antiga canção dos Smiths:"Do the body rule the mind?/Or do the mind rule the body?/I don't know".


This page is powered by Blogger. Isn't yours?