Sunday, December 21, 2008

O Amor Aprisionador

"A Fronteira da Alvorada", filme de Philippe Garrel, o mesmo de "Amores Constantes".No elenco, seu filho, o novo dândi do cinema francês, Louis Garrel (impressioante como vem enfileirando ótimas participações em ótimos filmes:"Os Sonhadores", "Em Paris", "Canções de Amor").
Nele, Garrel interpreta François, um fotógrafo boa-pinta, que ao registrar imagens da atriz Carole (Laura Smet) acaba se envolvendo amorosamente com ela, mesmo sendo casada, o que não a impede de além do romance com ele, flertar com outros amigos, fazendo com que François torture-se de ciumes.O marido de Carole, sempre em viagem, um dia, volta, e François, percebendo ser remota a possibilidade dela dedicar-se apenas a ele, decide não mais vê-la.O que a exaspera, e acaba afetando-a emocional e psicológicamente.Por um conhecido, François fica sabendo que ela foi internada numa clínica, e ao visitá-la tenta tirá-la dali, sem sucesso.
Mas, mesmo depois de obter alta da clínica, François se recusa a retomar o romance com ela.Resultado, Carole suicida-se.
Passa o tempo, e François encontra Eve ( Clémentine Poidatz), uma jovem linda e meiga, com quem começa um romance.Carole parece ter sido esquecida.Eve anuncia a ele que está grávida, notícia que não o entusiasma, mas, que, aos poucos, aceita.O casamento é marcado, e com a sua proximidade, François começa a ter alucinações.Ao olhar-se no espelho, vê a imagem de Carole, e ela fala a ele, diz que não poderá lhe abandonar ali, no outro mundo, onde agora ela está.Não aceita seu casamento e exige que François desfaça todos os planos e junte-se a ela, no mundo dos mortos.Ele, atordoado, não sabe mais como agir.Sua confusão é tanta, que acaba cedendo aos apelos da visão fantasmagórica, e também se suicida, no dia da cerimônia matrimonial.

"A Fronteira da Alvorada" é um filme que se passa em Paris, mas isso não é relevante para a história.Nele, a cidade é apenas entrevista, não se pode nem ao menos dizer que sirva de fundo aos acontecimentos.O foco é todo sobre o romance do jovem casal.Eles estão felizes mas aprisionados.Aprisionada ficará Carole, ao ser internada no sanatório, assim como apoś o suicídio, num limbo para onde iriam as "almas perdidas".François é prisioneiro do ciúme, seja de Carole, ou, mais tarde, de Eve, quando esta parte para uma viagem à trabalho.E a própria Eve, também presa de sua insegurança, pela decepção de seu amado, frente à iminente paternidade.O amor, aqui, aprisiona, não liberta.

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