Saturday, March 20, 2010
Sem Respostas
Quem seria o "Anticristo" de Lars Von Trier? A personagem de Charlotte Gainsbourg com sua esquizofrenia? Seria a natureza e sua força incontível? Seriam as mulheres consideradas bruxas, queimadas nas fogueiras da idade média? Ou a natureza da própria mulher, cuja força também é incontível? Seriam, então, todas as mulheres bruxas?São questões que surgem na mente do espectador ao final do filme que começa com uma sequência magistral, de uma beleza que contrasta com a tragédia que retrata.O filho pequeno do casal cai da janela do quarto enquanto os pais transam loucamente em outro cômodo.Ao mesmo tempo em que eles encontram o ápice das sensações no ato sexual, a criança encontra o ponto final da sua existência.
A partir daí a jovem mãe cai num luto do qual não consegue emergir.Meses se passam e seu marido, médico psicanalista (vivido por Willem dafoe) resolve tratá-la por conta própria.Sua teoria é a de que se você tem um medo que lhe paralisa, conserve-se o mais próximo possível dele.No caso dela, o maior medo encontra-se na floresta, então para lá os dois se encaminham em busca da superação dos traumas da moça.Mas o que encontram é a danação e a derrota pelas forças da "igreja de satâ", a natureza.
"Anticristo" não é um filme de terror, o que causa certo estranhamento em seu início pois sabemos a forma como Lars Von Trier conduzirá sua história, e vamos percebendo também que os elementos apresentados são fracos para que nos causem sustos e repulsa, algo do que são feitos os filmes de terror.Mas na segunda metade o filme mostra a que veio e tudo surge como consequência do que vimos anteriormente.
No fundo trata-se de um filme que retira a sua força da atuação de seus atores, e neste caso, Dafoe e Gainsbourgh estão soberbos.Aos poucos vai se delineando quem seria o "vilão" da história, aquele a quem devemos temer.E se ao final ainda restam perguntas sem respostas, talvez elas povoem até mesmo a mente do dietor do filme.