Monday, December 21, 2009

O Filho da Infâmia

"Brüno", a nova infâmia de Sacha Baron Cohen, pode não ser tão bom quanto "Borat", mas é mais ultrajante.Politicamente incorreto do começo ao fim, mexe com gays, negros, judeus, celebridades em geral, e mesmo com cortes vai ser difícil alguém não se sentir afrontado com alguma coisa vista no filme.
O ponto de partida deste falso documentário é a luta do fashionista alemão Brüno para conseguir o estrelato mundial e tornar-se uma über-celebridade.Para isso, ele tenta todos os meios tradicionais (programas de TV, carreira como ator) e também os caminhos, digamos, alternativos, ou seja, ações em voga que costumam chamar a atenção da mídia (adoção de crianças de países africanos, sequestro por parte de grupos radicais islâmicos, tentativa de firmar um acordo de paz entre judeus e palestinos).Até mesmo a uma conversão ao heterossexualismo Brüno se sujeita quando percebe que "todas" as celebridades são heteros ( e a ironia é que ele se convence disso ao ver imagens na TV de Tom Cruise e Kevin Spacey).
O humor de Cohen é absurdo.Quando pensamos que chegou ao limite da ousadia, ele então vai um pouco além.Não é possível compará-lo com nenhum outro comediante no cinema atual.Ele seria talvez uma mistura de Jerry Lewis, Harold Lloyd e "Jackass".
Mas qual a moral da história? Cohen aponta os males do mundo da mídia (preconceitos, cinismo, o vazio do culto das celebridades) ou será que se utilizando desse mundo para ridicularizá-lo ele não estaria reafirmando a sua força e perenidade?
Na própria sátira já está implícito que por mais que seja ridicularizado, o mundinho glamuroso e vazio do entretenimento não desaparecerá.É como na política, o ceticismo com a classe é tanto, que o humor surge como única alternativa para os que lhes tem aversão.Ou seja, já que não conseguimos nos livrar deles, pelo menos é possível ridicularizá-los.
Não se sabe qual será o futuro de Sacha Baron Cohen que já fez três filmes com seus personagens (o rapper Ali G., Borat e agora Brüno), não pretende lançar continuações mas seria auspicioso se continuasse com seus petardos infames, chutando o balde desta nossa sociedade mais infame ainda.







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