Saturday, August 01, 2009

Truques Baratos

Charlie Kaufman ficou famoso por seus roteiros incomuns que resultaram em cult-movies ("Quero Ser John Malkovitch", "Adaptação", "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças").Agora em sua primeira incursão como diretor, além de também assinar o roteiro, apresenta "Sinedoque New York", com Philip Seymour Hoffman no papel principal, o de um diretor de teatro, que descobrindo sofrer de uma doença fatal, resolve encenar uma peça autobiográfica.Além do drama causado pela misteriosa doença ele ainda tem que lidar com o dilaceramento de sua vida amorosa, a esposa o abandona levando consigo a filha pequena, suas tentativas de engatar um novo romance com a bilheteira do teatro em que sua adaptação de "A Morte do Caixeiro Viajante" está em cartaz, mostram-se patéticas, e para confundi-lo ainda mais, surge um estranho personagem, que dizendo segui-lo pelas ruas durante anos, se oferece para representá-lo na peça autobiográfica, que cada vez mais confusa, parece fadada ao fracasso, ou talvez nem sequer chegue de fato, a ser encenada.
A história mirabolante pode até sugerir um filme promissor, mas o adjetivo ideal para "Sinedoque NY" é "decepcionante.Com mais de duas hgoras, o filme não chega a empolgar em momento algum.O personagem de Hoffman não tem nenhum carisma, e as esquisitices típicas dos filmes de Kaufman, ao invés de servir (como sempre acontece) de "distração" à história frouxa, apenas aumentam a irritação do espectador, e a sensação de que está sendo feito de trouxa pelo cineasta.O tom pessimista - algo que está se tornando, cada vez mais, um maneirismo nesse tipo de filmes metidos a "sérios" - chega a ser opressivo, mas no fundo, Kaufman não nos quer convencer de nada, antes fosse, talvez assim mostrasse mais honestidade, e não tentasse distrair nossa atenção durante 130 minutos com truques baratos.





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