Saturday, July 18, 2009
O Perdão Pelo Amor
Kate Winslet começou sua carreira na Nova Zelândia, e já se destacando, em fimes como "Heavenly Creatures", do então estreante Peter Jackson.Depois, Winslet foi alçada ao estrelato com o arrasa quarteirão "Titanic", ao lado do já famoso Leonardo di Caprio.Após isto, ela fez o caminho inverso das atrizes que chegam ao topo da fama.Ao invés de continuar aparecendo em produções de alto custo, preferiu as de baixo orçamento, com desempenhos obscuros na bilheteria.O que não impediu de ser considerada uma ótima atriz.Até que fez "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", de Michel Gondry, filme que ganhou status de cult-movie, fazendo-na cair de novo nas graças do grande público.Agora, ela merecidamente recebeu o Oscar de melhor atriz por "O Leitor", filme de Stephen Daldry (o mesmo de "Billiy Elliot" e "As Horas").Conta a história de Michael Berg, adolescente na Berlim do pós- segunda guerra, e seu envolvimento amoroso com Hannah Schmmit (Winslet), uma cobradora de bondes, mais velha do que ele, e que guarda seu passado a sete chaves.O jovem Michael é dominado sexualmente pela experiente Hannah, e logo deixa de lado sua família superprotetora, seus amigos e as garotas de sua idade para se dedicar exclusivamente à amante mais velha.Dedicação não apenas de cama mas também num hábito que surge de ler a ela em voz alta, prática em que a sintonia entre os dois é tão grande como quando se amam.
Mas, depois de um desentendimento, Hannah desaparece da vida Michael e só ressurge vinte anos depois, quando ele, agora um estudante de direito, assite a um julgamento de colaboradores do nazismo, e descobre sua antiga amante entre os acusados.
O filme merece ser visto não pelo banal caso de amor entre o adolescente e a balzaquiana, tema já explorado à exaustão no cinema e na literatura, mas, sim, pelo seu desdobramento, que suscita uma discussão mais substancial, a da culpa atribuída a colaboradores de um regime despótico, no caso, o nazismo.No filme, Schmmitt não consegue encarar sua antiga função ( a guarda de um campo de concentração) como algo do qual deva se envergonhar ou arrepender, ela apenas defende-se com o argumento de que "cumpria ordens".Sendo que, ao fazer sua defesa, está sendo sincera, pois por sua ingenuidade ( e ficamos sabendo ao mesmo tempo que Michael, que ela é analfabeta) e por ser completamente apolítica, uma simplória, não consegue compreender as implicações morais de seus atos.Pois bem, deveria esta mulher ser perdoada, ou ter sua pena diminuída por conta dessa ingenuidade? É esta a discussão que o filme propõe.
Então, anos depois, o já advogado Michael Berg (agora vivido por Ralph Fiennes) ao descobrir a prisão em que Hannah se encontra e na impossibilidade de encontrá-la pessoalmente, num gesto de amor (sim, pois, apenas o amor justificaria um ato desses), resolve gravar em fitas cassete todos os livros que havia lido para ela na sua juventude, quando tinham um caso.Hannah recebe essas fitas e impulsionada pelo emoção, retira na biblioteca da prisão os títulos gravados por Michael, acompanhando-os, impressos, enquanto os ouve ditos por ele.Assim, aos poucos ela finalmente aprende a ler.
O estilo do diretor Daldry é sóbrio, beirando o burocrático.Não espere-se de seus filmes muito arrojo artístico, nem intensidade - as cenas de sexo, por exemplo, são interrompidas ou amenizadas de uma forma que tornam-se próprias para aquelas senhoras moralistas frequentadoras de cinema.