Saturday, September 06, 2008
Uma Mulher Para Todos
Ângela Carne-e-Osso, a rainha dos boçais.A mulher de todos.Nunca houve outra mulher como ela.E nunca haverá outra atriz como Helena Ignez.Não era escultural, mas seduzia como uma Brigitte Bardot.Uma mistura de Jane Birkin e Jane Fonda.Uma cosmopolita arretada.A Janete Jane mulher do bandido.A mulher de todos e de ninguém.
"A Mulher de Todos" é um filmaço mesmo com seus defeitos.Sganzerla usou três cores no filme, ou melhor, três matizes: o azulado, o avermelhado e o preto e branco.Mera porralouquice sessentista.O que importa é Helena.O importante são as sequências.História descontínua com vários pontos de vista, e outros tantos cegos.
Stênio Garcia e sua vasta cabeleira aos chutes com Ângela na escada rolante do aeroporto.Um cineasta carioca em SP."A Mulher de Todos" é sobre os capitalistas.Pois bem, onde mais poderia ser ambientada?O paulista farofeiro, almofadinha, boçal intelectualóide.Mas é lá que ela está, na Ilha dos Prazeres.A dona dos desejos, manipuladora das vontades, de homens e mulheres.Baforando seu charuto e se deixando lamber pelo mar da baixada.Loira da camisa molhada.
Ao som de Elvis.A cachorrona dança "Hound Dog".Tirando a roupa na semi-luz e dizendo:"Tô noutra!".
E Jô Soares, aquele que melhor transitou entre o mundo das massas (televisivas) e o underground delirante.E saindo-se bem nos dois.
A história não importa.O importante são as sequências.São elas que ficam na memória, são elas que nos fazem querer rever mil vezes Ângela Carne-e-Osso rebolando, devorando, pintando e bordando.
Filme libertário.Por uma vida livre de clichês.Quem não quereria uma mulher como Ângela?E quem acharia que ela seria de apenas um?Impossível.
Como seria um encontro entre ela e Luz Vermelha?Impossível.Tanto que, quando Paulo Vilaça surge é para desmunhecar subjugado pela macheza de Ângela e seu facho mais forte.
Uma mulher para todos.Uma mulher que todos mereciam ter.
E se ela morre no final, quem disse que a morte é um final triste?
