Saturday, August 02, 2008

Sob Controle


Geralmente cine-biografias de astros do rock são sofríveis, uma excessão a essa quase regra é o filme Control, do consagrado fotógrafo e diretor de vídeo-clipes Anton Corbijn.Ele se notabilizou nos anos 80, não só por registrar bandas como o U2, Depeche Mode em fotografias de um estilo único como também em dirigir seus clipes.Foi o primeiro a fotografar o Joy Division, banda inglesa surgida no final da década de 70.O som do Joy Division derivava da união de dois estilos aparentemente opostos, o punk rock(de bandas como Sex Pistols e Buzzcocks) e o pop de David Bowie, mais a atmosfera de filmes alemães expressionistas com uma poética que misturava o romantismo de Shelley(poeta inglês do sec. XIX) com T.S. Eliot.Sem esquecer da atmosfera cinzenta e triste da cidade de Manchester, local de origem de seus integrantes.
Control não é só a história das rápidas ascensão e queda da banda, mas principalmente do seu front-man Ian Curtis.Figura atípica do mundo pop, não era cabeludo, vestia roupas "normais" e suas letras desfiavam um rosário de imagens poéticas densas e estranhas ao mundo da música destinada ao público jovem.
Acompanhamos a trajetória de Curtis, de jovem enfurnado no quarto, ouvindo e imitando os trejeitos do ídolo Bowie à funcionaŕio do serviço social, onde entra em contato com as piores mazelas da sociedade, até sua transformação em vocalista performático que se apresentava no palco como se estivesse em um transe(o que fez com que, errôneamente, alguns identificassem seu jeito estranho de dançar com seus ataques de epilepsia).
O casamento com Deborah Curtis, o relacionamento com a jornalista Annik Honoré, suas crises epiléticas e como a divisão entre Deborah e Annik, somada a sua inconstância e tendências depressivas levaram-no ao suicídio aos 27 anos.Justo quando a banda iniciava uma trajetória ascendente no mundo da música.
Particularmente impactante é a cena que mostra Curtis em um de seus ataques epiléticos, sozinho na casa em que morava com Deborah.O realismo nos choca não só pelo drama da doença em si, mas também por vermos o ídolo pop numa situação tão frágil.
Destaque também para a atuação de Sam Riley no papel de Curtis.Sua semelhança física com ele é espantosa, surgindo como uma espécie de clone do cantor.

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