Saturday, August 30, 2008

Delíros Eróticos-psicodélicos

Assistindo à "Vampire Blues", de Jess Franco, de repente acabei fazendo uma analogia com outro cinesta, o brasileiro Júlio Bressane.Os dois têm algo em comum.Seus filmes não tem compromisso algum com a narrativa realista, suas histórias têm um desenvolvimento único.O cinema, para eles, é algo mais do que simplesmente contar uma história, e a esta altura do campeonato tantas histórias já foram contadas por tantos outros cineastas, que fica difícil não se repetir.
Mas, a meu ver, Franco está acima de Bressane.O último filme dele a que assisti ("Filme de Amor") é simplesmente enfadonho, e não há nele um elemento ao qual Franco é mestre em sua utilização:o erotismo.A nudez no filme de Bressane surge sempre com uma aura assexuada, sem provocação ou lascívia.É simplesmente "artística", quase insípida.As formas humanas são mostradas como as formas de um objeto qualquer que surgisse em cena.
Já em Franco, o erotismo impera sobre qualquer outro aspecto do filme, até mesmo a sua história.E nem por isso seus filmes ficam aos mesmo nível dos pornôs habituais.São filmes em que há sexo, nudez, lesbianismo, mas sobretudo uma exaltação de todas essas coisas, não uma simples utilização com fins de proporcionar o mesmo que os pornôs do mercado.
Franco também rompe com a narrativa convencional, não se importa com o suporte, se em película ou em vídeo digital (o caso de "Vampire Blues").
O filme conta a história de uma jovem, que passando férias num balneário espanhol, compra uma camiseta cuja estampa é o desenho de uma sensual vampira.A partir daí, ela passa a ter pesadelos com a tal vampira sexy.Na verdade, não são bem pesadelos, mas sonhos eróticos, altamente perturbadores (para ela).
A maior parte do filme compõe-se de cenas em que a vampira , excitada, acaricia-se em frente à câmera, enquanto seus gemidos misturam-se ao som de uma guitarra elétrica que pontua todas as cenas, em um solo calmo e constante, misterioso e convidativo, como o corpo dela.E sempre que ela surge, o filme ganha cores fortes, e o delírio erótico junta-se a um delírio psicodélico, e os dois, ao dos sonhos incontroláveis.





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