Saturday, July 26, 2008
Um Allen Hitchcockiano
Ultimamente alguns críticos de cinema vêm implicando com os filmes de Woody Allen.Dizem que anda repetitivo, que não há mais nada o que esperar de seu cinema, etc.Bem, da minha parte, só desejo que seus filmes continuem parecendo uns com os outros, pois todos são muito bons.Mesmo um Woody Allen mediano consegue ficar acima da média dos demais filmes em cartaz, disso já me convenci há tempos.Dito isto, falemos da sua mais recente produção, Cassandra's Dream, a terceira ambientada na velha Inglaterra (os anteriores foram Match Point e Scoop).Trata-se da história dos irmãos Ian (Ewan McGregor) e Terry (Colin Farrell), que ambicionam deixar seus trabalhos de, respectivamente, ajudante do pai num hotel e mecânico de carros, em busca de uma vida melhor.Ian envolvendo-se com Angela (Hayley Atwell),uma atriz de teatro linda e rica, com contatos que podem ajudá-lo na sua empreitada de abrir um restaurante em Los Angeles.Enquanto que Terry se vê às voltas com dívidas de jogo que o fazem pedir a ajuda do irmão pra sair da enrascada.Aquele, sem dinheiro o suficiente para socorrê-lo resolve, em concordância com o irmão, pedir ajuda de um tio ricaço que, coincidentemente, está chegando à Londres para visitar a família.Quando eles contam a situação toda ao tio, este resolve ajudá-los mas com uma condição, a de que dêem um sumiço num procurador federal, prestes a denunciar suas falcatruas, o que lhe custará sua fortuna.
Os dois, no início, relutam, achando a proposta absurda.Mas com tempo, resolvem pô-la em prática, sendo que Ian, antes o que mais se negava, acaba sendo o que melhor lida com a situação e suas consequências, enquanto que o antes propenso Terry, esmagado pelo peso da culpa, chega a quase auto-denúncia, tal como o personagem dostoievskiano Raskolnokoff, de Crime e Castigo.
terry age como o personagem russo mas também poderíamos identificá-lo com Judah de Crimes e Pecados (1988), do próprio Allen, atormentado pela culpa depois de autorizar o assassinato da amante pelo irmão.
Allen, conhecido admirador-seguidor de Ingmar Bergman, aqui mostra o seu lado hitchcockiano.Seu filme, assim como os do mestre inglês possui uma elegância e uma leveza em sua condução que contrasta com as ações abomináveis de seus personagens.Fazendo com que tenhamos até mesmo compaixão dos piores criminosos.
Os dois, no início, relutam, achando a proposta absurda.Mas com tempo, resolvem pô-la em prática, sendo que Ian, antes o que mais se negava, acaba sendo o que melhor lida com a situação e suas consequências, enquanto que o antes propenso Terry, esmagado pelo peso da culpa, chega a quase auto-denúncia, tal como o personagem dostoievskiano Raskolnokoff, de Crime e Castigo.
terry age como o personagem russo mas também poderíamos identificá-lo com Judah de Crimes e Pecados (1988), do próprio Allen, atormentado pela culpa depois de autorizar o assassinato da amante pelo irmão.
Allen, conhecido admirador-seguidor de Ingmar Bergman, aqui mostra o seu lado hitchcockiano.Seu filme, assim como os do mestre inglês possui uma elegância e uma leveza em sua condução que contrasta com as ações abomináveis de seus personagens.Fazendo com que tenhamos até mesmo compaixão dos piores criminosos.