Saturday, July 19, 2008
Made in Godard
A história também é desimportante, mas só para registro, trata-se de uma investigação da morte de um jornalista por sua viúva (Karina).Este é apenas o ponto de partida e o de chegada, pois entre os dois o que há é todo um exercício de cinema livre de amarras.Um filme em que muitas coisas acontecem, mas nenhuma delas têm alguma coerência com o "plot" inicial.Mas tanto faz, pois três minutos de um close em Anna Karina valem mais do que qualquer diálogo que possa haver no filme.E isto, intencionalmente.
Existem várias sequências memoráveis, e todas elas têm a ver com o encantamento que Anna nos provoca.Numa delas, num bar, entre goles de conhaque e a conversa surreal de um sujeito com boina de capitão dos mares, e a voz trêmula e doce de Marianne Faithfull entoando "As Tears Go By", composição de Jagger e Richards, que, na época era sucesso na voz da própria Marianne.
Há também a presença de jean-Pierre Leaud, no papel de um colega abobado do chefe de polícia que investiga a morte do marido de Karina, um jornalista com aspirações literárias, que pretende escrever um romance "sem final".
O filme é pontuado aqui e ali por mensagens políticas, citações de discursos e o claro apoio aos movimentos socialistas-comunistas que ambicionavam subverter a lógica do capitalismo.E o filme subsequente de Godard, "A Chinesa", iria mais fundo nesse tema.