Tuesday, May 01, 2007
A Rainha Entediada

Confesso que esperava mais do filme “Maria Antonieta”, de Sofia Coppola. Não que ele seja ruim (não dormi um minuto sequer durante a projeção), apenas não correspondeu às minhas expectativas. E quais eram elas? Bem, as melhores possíveis. Depois de dois filmes em que mostrou uma incomum maturidade como diretora, as informações sobre seu terceiro longa-metragem - uma história sobre Maria Antonieta, com Krysten Durnst no papel principal, participação de Ásia Argento e uma trilha sonora com pérolas do pós-punk - o que alguém que já admirava o seu trabalho poderia esperar? O filme do ano, no mínimo.
Mas acontece que não fui o único a receber esse balde de água gelada (nem tão gelada assim, vá...).A reação ao filme em Cannes foi morna, isso quando não raivosa, por Sofia não ter sido fiel à personagem histórica e à trajetória desta jovem austríaca que se uniu ao herdeiro do trono da França Luis XVI num casamento arranjado, que consuma-se depois de muito esforço ( pois Luis só se interessava por caçadas e cadeados).A linda e frustrada Antonieta então entrega-se aos prazeres da corte (os alimentícios e depois os sexuais) que preencherão o seu vazio existencial.Na verdade, Sofia foi fiel à personagem do livro em que o roteiro é baseado.E só isso já basta.
Então, qual é o problema do filme? Perguntava-me isto enquanto contemplava as lindas imagens da linda Srta. Durnst na imponente e clássica Versalhes. Seus palácios e jardins, a opulência da corte real francesa e as boas atuações dos atores.Jason Schwartzman no papel de Luis XVI e a já citada Durnst como Antonieta.Este escriba não conseguia distinguir se o tédio que sentia provinha do filme em si ou da rotina retratada nele.Na verdade, até entendi certos procedimentos de Sofia na condução da história.Por exemplo, a partir do momento em que Antonieta resolve entregar-se a os prazeres da corte o filme transforma-se numa paródia daquelas típicas comédias de adolescentes sobre patricinhas.Mas se a diretora ousa na trilha musical (de muito bom gosto, aliás) inserindo canções dos anos 1980 numa história do século XVIII, mostra-se conservadora em outros apectos.E isso fica claro quando ela usa recursos inventivos para deslindar situações cruciais no roteiro.Por exemplo, na morte do terceiro filho do casal real.Somos informados da morte do bebê por uma simples sugestão.Sem diálogos, sem dramas, com sutileza e elegância.É um dos pontos altos do filme e a constatação de que grande parte dele ficou baixo desse pico.
E para quem tinha tanta habilidade em abordar temas intricados e densos como demonstrou em “As Virgens Suicidas” e “Lost in Translation”, espanta (e não espanta) que “Maria Antonieta” tenha levado apenas um Oscar de Melhor Figurino.Mais sorte na próxima vez, Domino.
Mas acontece que não fui o único a receber esse balde de água gelada (nem tão gelada assim, vá...).A reação ao filme em Cannes foi morna, isso quando não raivosa, por Sofia não ter sido fiel à personagem histórica e à trajetória desta jovem austríaca que se uniu ao herdeiro do trono da França Luis XVI num casamento arranjado, que consuma-se depois de muito esforço ( pois Luis só se interessava por caçadas e cadeados).A linda e frustrada Antonieta então entrega-se aos prazeres da corte (os alimentícios e depois os sexuais) que preencherão o seu vazio existencial.Na verdade, Sofia foi fiel à personagem do livro em que o roteiro é baseado.E só isso já basta.
Então, qual é o problema do filme? Perguntava-me isto enquanto contemplava as lindas imagens da linda Srta. Durnst na imponente e clássica Versalhes. Seus palácios e jardins, a opulência da corte real francesa e as boas atuações dos atores.Jason Schwartzman no papel de Luis XVI e a já citada Durnst como Antonieta.Este escriba não conseguia distinguir se o tédio que sentia provinha do filme em si ou da rotina retratada nele.Na verdade, até entendi certos procedimentos de Sofia na condução da história.Por exemplo, a partir do momento em que Antonieta resolve entregar-se a os prazeres da corte o filme transforma-se numa paródia daquelas típicas comédias de adolescentes sobre patricinhas.Mas se a diretora ousa na trilha musical (de muito bom gosto, aliás) inserindo canções dos anos 1980 numa história do século XVIII, mostra-se conservadora em outros apectos.E isso fica claro quando ela usa recursos inventivos para deslindar situações cruciais no roteiro.Por exemplo, na morte do terceiro filho do casal real.Somos informados da morte do bebê por uma simples sugestão.Sem diálogos, sem dramas, com sutileza e elegância.É um dos pontos altos do filme e a constatação de que grande parte dele ficou baixo desse pico.
E para quem tinha tanta habilidade em abordar temas intricados e densos como demonstrou em “As Virgens Suicidas” e “Lost in Translation”, espanta (e não espanta) que “Maria Antonieta” tenha levado apenas um Oscar de Melhor Figurino.Mais sorte na próxima vez, Domino.
Cotação: 6