Monday, May 28, 2007

Eu Já Fui o Homem-Aranha

Devo confessar que já quis ser o Homem-Aranha.Uma das razões do sucesso do herói criado por Stan Lee e Steve Ditko na década de 60 era que seu alter-ego, Peter Parker, sofria os mesmos problemas que os adolescentes comuns.A necessidade de se sustentar, os amores não correspondidos, o azar “crônico”, a rivalidade com o valentão da classe.Parker era como um espelho para muitos que o acompanhavam em suas desventuras e nos fantásticos feitos quando dentro do uniforme vermelho e azul.

E provavelmente o diretor Sam Raimi, responsável pela condução e pelo roteiro deste terceiro filme sobre o aracnídeo, também tenha se identificado com ele haja vista a forma como transportou o enredo para tela grande, traduzindo acuradamente a linguagem dos quadrinhos e mantendo as características principais do personagem – o bom-humor, por exemplo.

Peter Parker tem seus poderes especiais mas isso não o livra da falibilidade humana.E agora ele acaba deixando que o sucesso e o reconhecimento pela população de Nova York lhe subam à cabeça, a ponto de nem notar o quanto sua amada Mary Jane Watson(Kirsten Dunst) passa por um péssimo momento.Sua carreira de atriz vai de mal a pior, e ainda por cima, ela tem que encarar a concorrência da loiraça Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard) que acaba se aproximando de Parker através de uma série de encontros coincidentes.O herói, agora cheio de si, de vaidoso passa a arrogante e daí a violento, depois que começa a usar um novo uniforme – negro, feito de um tecido alienígena que possui vida própria e acaba controlando seus atos e pensamentos.

E afinal, esse estranho ser alienígena (que se transformará no vilão Venon) vai ser o grande vilão da história, já que os outros dois, o Homem-Areia e o novo Duende Verde podem praticar o mal mas no fundo são boas pessoas.O primeiro, apesar de cometer atos condenáveis já foi um pai de família dedicado que só entrou no mundo do crime para arranjar dinheiro suficiente para pagar os cuidados médicos de sua filha pequena.E o segundo, Harry Osbourne, o filho do primeiro Duende, Norman Osbourne, é movido pela vingança à morte do pai, que ele acha ter sido provocada pelo Aranha.Mas quando percebe que cometeu um erro, tenta remediar todo o mal que causou, ajudando o super-herói contra a ameaça maior de Venon.

Bem, os filmes de aventura, todos sabem, são a especialidade de Hollywood, já na época em que não existiam os efeitos especiais que fizeram a fama das produções americanas ao redor do mundo.Mas alguns realizadores destacam-se mais do que outros.E conseguem imprimir uma marca pessoal que distingue seu trabalho dos demais filmes de ação cheios de efeitos especiais.E Sam Raimi é um exemplo disso.Raimi consegue dosar perfeitamente as seqüências de ação com as de drama ou comédia.Seu roteiro para o HA3 é impecável e por mais que desconfiemos como a história vai acabar ela nunca chega a seu final de uma forma óbvia.Ou seja, Raimi sempre nos reserva uma surpresa ou outra até que cheguemos ao desfecho.

Não é preciso ser criança para se deixar arrebatar pelo destino do super-herói e pelas agruras por que passa.Ou antes, o filme desperta em nós resquícios dessa infância, trazendo a lembrança de uma época que a muitos é tão cara.Quando éramos movidos pela imaginação e pela crença de que se um personagem de quadrinhos depois de passar por tantos “perrengues”, conseguia se safar no final, nós também conseguiríamos salvar o mundo.Ou pelo menos o gato da vizinha.

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