Thursday, March 29, 2007

Diário Querido


Se você quer assistir a um grande filme não vá ver "Notas Sobre Um Escândalo".Agora, se você é fã de Cate Blanchett ou de Judi Dench, o filme foi feito para você.Nele a beleza de Blanchett e a austeridade de Dench sustentam este drama banal mas cuja trama é atualíssima.Pode parecer contradição mas muitas vezes uma banalidade pode gerar uma obra-prima, o que decididamente não é o caso aqui.

Blanchett vive Sheba Hart, uma professora de artes que vai parar numa escola-pública barra pesada em Londres.Lá ela encanta a todos os seus colegas e particularmente à veterana professora de História Barbara Covett (Judi Dench).Outro que cai em suas graças é o jovem Ted Mawson (Tom Georgeson), um aluno de 16 anos, com quem Sheba acaba tendo um caso candlestino.Ela é casada com um homem bem mais velho (e que fora seu professor na faculdade) e tem uma filha adolescente, um ano mais velha do que seu imberbe amante, e um outro que sofre de Síndrome de Down.

A carrancuda sra. Covett também interessa-se por Sheba tanto quanto o jovem Ted, e no mesmo plano que ele.E para azar da jovem Sheba Barbara descobre seu tórrido romance com o aluno.Claro, ciumenta e furiosa, começa a chantageá-la e a o briga a aceitar sua amizade, que aos poucos fará com que se torne cada vez mais "colorida " e afetuosa.

Emocionante?Sim, mas também um pouco previsível.Ou talvez seja o tratamento dado pelo diretor Richard Eyre o que embaça um pouco as coisas.O roteirista Patrick Marber ( o mesmo de "Closer") não dá muito tempo para que as situações se desenvolvam, vai direto ao ponto, e isso num filme de 90 minutos de duração.

Mas o bom mesmo são as duas atrizes, o contraste entre Sheba/Blanchett e sua alvura encantadora e Covett/Dench e suas rugas de mulher velha e maldosa, solitária a ponto de êxtases depois de um mero esbarrar dentro de um coletivo.Covett, a vilã da história, é bem articulada, culta, faz citações literaŕias com a segurança de um "schollar".Enquanto que Sheba é pura intuição e espontaneidade.Já Covett desarma-se apenas quando escreve num diário repleto não só de anotações do seu dia-a-dia mas também de recortes, suvenires e lembranças de amores antigos, como uma típica adolescente púbere e virgem (coisa que a velha professora ainda é ).

Mas apesar dos escorregões "Notas..." é um filme que não faz concessões.Seu final não é feliz.Quem agiu mal não foi punido e ganhou castigo quem rendeu-se às inclinações do coração e do instinto sexual.A hipocrisia, como geralmente acontece na vida real, acaba vencendo.

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