Saturday, February 24, 2007

O Grande Ditador


Bem, depois de amanhã Forest Whitaker provavelmente ganhará o seu Oscar de melhor ator pelo desempenho em “O Último Rei da Escócia” (The Last King Of Scotland), de Kevin McDonald, em que encarna o sangrento ditador de Uganda Idi Amim Dada.Prêmio, de qualquer forma, merecido, pois Whitaker já provou seu talento em filmes como “The Crying Game”, de Neil Jordan ou, e talvez seja o principal deles, “Bird”, de Clint Eastwood( e foi possível notar o semblante de orgulho de Clint ao ver o “seu” Charlie Parker subindo ao palco para receber o seu primeiro Golden Globe).Outra atuação marcante de Whitaker foi como o pai ausente, e sem uma das mãos em “Smoke”.

“O Último Rei da Escócia”, conta a história do ditador Idi Amim Dada, que no auge de sua loucura foi responsável pela morte de centenas de pessoas identificadas por ele como suas inimigas, portanto, inimigas também de Uganda.Além do fascínio que ele exerce sobre o jovem médico escocês Nicholas Garrigan (James McAvoy), que entusiasmado pelo clima revolucionário que envolveu a tomada do poder por Amim, se deixa envolver pelos privilégios advindos da confiança que o ditador lhe deposita, sem perceber que aos poucos torna-se cúmplice dos desmandos do presidente.A insegurança deste acaba fomentando a tirania sem limites em nome de uma suposta ameaça à segurança nacional.Amim em seus delírios de megalomania promove paradas em que membros de seu exército desfilam em trajes típicos escoceses.E o próprio presidente se intitula como dá a entender o nome do filme.

O processo que levou Amim ao poder não foi muito diferente do comum em se tratando de ditadores.No início são aclamados pela população como libertadores, que põem fim às opressões e promovem uma melhora em seu bem-estar, renovando as esperanças no futuro, para em pouco tempo instalar a sua própria forma de opressão e dilapidação das riquezas do país em causa própria.O maior exemplo disso era a pobreza em que vivia Uganda enquanto Idi Amim aproveitava a vida em seu suntuoso palácio.O jovem médico logo percebe que aquilo não iria acabar bem, mas quando decide partir o ditador o impede tornando-o um prisioneiro de luxo na corte do último rei da Escócia.

A história toda se passa na década de setenta e o próprio filme parece ter um quê setentista, com seus closes abruptos, misturados à exuberância da vida africana, com suas cores fortes e seus contrastes estéticos e econômicos.Whitaker aparece com uma cor de pele mais escura, o que acaba enfatizando a figura sombria de Amim.Suas expressões são de quem pode surtar a qualquer momento ou exigir, por qualquer motivo insignificante, ou desconfiança infundada, a cabeça de um aliado.Ninguém estava a salvo das decisões intempestivas de Amim, nem mesmo os seus asseclas.

Uma coisa que me incomodou no início do filme foi a prática já comum no cinema americano de fazer com que a língua inglesa predomine mesmo quando a história se passa num país africano.Idi Amim se comunica com seu povo em inglês e, surpresa, todos entendem.São poucas as expressões ditas na língua local.Mas, aos poucos, o envolvimento com a trama faz com que isso seja relevado.Afinal, o que não relevamos quando temos à nossa frente um roteiro bem construído, em que tensão e suspense surgem num crescendo e quando percebemos já estamos envolvidos, temendo pela vida do mocinho?

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