Friday, February 09, 2007
Filme Mofado
Existem filmes que envelhecem mal, mesmo não sendo tão antigos.É o caso de "Barton Fink", de 1991, dirigido por Joel Cohen, vencedor da Palma de Ouro em Cannes.Os irmãos Cohen (Joel e Ethan) personificaram um tipo de cinema surgido nos anos 90, identificado errôneamente por muitos como tendo um valor artístico superior a todo o resto da produção americana, apenas pelo seu tratamento não-realista.
Eram esses os filmes que ganhavam prêmios na Europa (como a Palma de Ouro), eram elogiados pela crítica, saudados por jovens cinéfilos, e obtinham o status de "cult-movies".Mas vendo-os hoje percebe-se como tinham pouco a dizer e a oferecer que justificasse todo o barulho à sua volta.Se nos anos 90 "Barton Fink" parecia moderno e inovador, hoje tem jeito daquelas roupas psicodélicas dos anos 60 que deixadas no fundo do guarda-roupa fedem à naftalina.
Barton (John Turturro) é um jovem autor de teatro, cujo sucesso o leva para ser roteirista em Hollywood.Mas ao contrário do que ele poderia achar, não para adaptar títulos importantes da literatura ou mesmo trabalhar material próprio, e sim bolar histórias banais para filmes de gênero, no caso de Fink, os de luta-livre.Ele até tenta corresponder às expectativas dos seus contratantes mas um bloqueio criativo o impede de começar.Barton hospeda-se num hotel de quinta categoria em Los Angeles e trava relações com estranhos personagens como o gordo Charlie Meadows (John Goodman), vendedor de seguros cujas maneiras grosseiras e expansivas são o oposto da timidez balbuciante de Fink, o intelectual do leste.
No filme de Joel Cohen, a vontade de fugir de clichês acaba criando situações vazias, como por exemplo, o uso da música criando uma atmosfera de suspense, quando não há nada que lhe justifique. Ou a transformação de pequenas ocorrências, como o descolamento de papel de parede, em algo enigmático e que deve ser levado em consideração, quando na verdade não há significado algum por trás disso.
As únicas coisas que se salvam no filme são as atuações de Turturro e Goodman, e certas passagens ditas por seus personagens, que mostram uma solidez que destoa do quadro insípido mas colorido em que se apresentam.Feito aqueles bolos de padaria, que parecem gostosos na vitrine, mas ao comê-los percebemos o quanto fomos logrados.
Talvez os únicos filmes dos irmãos Cohen com algum valor sejam suas comédias ("Arizona Nunca Mais", "O Grande Lebowski") e o seu filme maior, "Fargo", que foge de todo esse simbolismo vazio que chegou a ser levado à sério num tempo não muito distante.