Tuesday, February 13, 2007
As Conquistas de Clint
"A Conquista da Honra" (Flags Of our Fathers) é o primeiro dos dois filmes que contam a história da batalha no monte Iwo Jima durnate a Segunda Guerra Mundial.Enquanto este relata os fatos do lado americano, "As cartas de Iwo jima", dá a versão do lado japonês (ele é todo falado em japons).Este segundo filme é o que recebeu indicações ao Oscar, inclusive a de melhor filme, e forma com" Babel" e "Os Infiltrados" o trio dos favoritos ao prêmio.
Mais do que apenas tratar da batalha, "Flags of Our Fathers" gira em torno da história da famosa foto de Joe Rosenthal, que mostra os soldados americanos fincando a bandeira de seu país no topo do monte.Uma imagem que acabou servindo de símbolo da supremacia americana na guerra e de estímulo a que os seus concidadãos continuassem comprando "bônus de guerra" para financiar seu armamento.
Mas o que toda a nação não sabia era que aquela foto retratava a substituição da primeira bandeira que havia sido fincada por outros soldados que não os que estavam ali pela sugunda vez.E que a incerteza sobre quem realmente fazia parte do grupo, nomes foram omitidos e o estrago já havia sido feito.Três soldados que lá estiveram e que conseguiram sobreviver às bombas e à artilharia japonesa, são retirados do campo de batalha e levados aos EUA como heróis.Eles não se sentem nem um pouco confortáveis em meio a tantas comemorações e eventos.Enqunato que a única intenção do governo é vender mais bonus de guerra explorando suas imagens (e a imagem do momento em si).Os soldados Rene (Jesse Bradford), John "Doc" Bradley (Ryan Phillippe) e o descendente de índios Ira (Adam Beach) são adorados enquanto dura a guerra e o interesse governamental, depois são esquecidos, sendo que Ira, por sua descendência, sofrerá mais que os outros, vítima do rascismo, mais forte do que o reconhecimento da sua bravura nos campos de batalha.
Clint Eastwood tornou-se aos poucos um mestre num tipo de registro cinematográfico.Filme após filme, ele vem sendo uma espécie de historiador dos EUA."Honkytonk Man", "Bird", "Unforgiven", todos eles, de uma forma ou de outra, falam do "ser americano".Seja no velho oeste, ou no mundo do jazz.Eastwood pode ser considerado um novo John Ford, alguém que desvenda aspectos da alma americana e os explora sem eufemismos ou a ausência de visão crítica.
As imagens grandiosas da guerra, as poderosas embarcações e a destruição das bombas, tiros e granadas, o horror da guerra reconstituído no limite do sensacionalismo e da comoção fácil, não quer fazer das imagens terríveis de mutilações e desespero o grande atrativo do filme.As cenas de batalha não podem ser acusadas de sensacionalistas mas devem ser reconhecidas como sendo acuradas.Fiéis (até onde se pode saber) ao que os soldados sofreram.São impressionantes pelo apuro e por retratar com sobriedade (apesar disso nunca existir numa guerra) a loucura da morte e da mutilação decorrente dos conflitos.
A opção de Clint por atores não tão conhecidos reforça a ênfdase na história, nos nomes dos personagens reais e não nos rostos de "movie-stars".E os atores escolhidos refletem esse respeito do diretor e a dignidade com que interpretam fica clara logo nos primeiros minutos.
"A Conquista da Honra" não vai ganhar um Oscar de melhor filme mas Clint Eastwood já ganhou (há tempos) o seu lugar no panteão dos heróis do cinema.