Saturday, December 30, 2006
A Volta dos que Não Foram

Martin Scorsese está de volta à velha forma.Bastam poucos minutos de “Os Infiltrados”para a constatação desse fato.Mesmo que seus filmes predecessores (“The Aviator”, “Gangs of New York”, “Bringing Out The Dead”) não tenham sido ruins, ao ve-los ficava uma sensação de ausencia.Scorsese não era mais o mesmo cineasta afiado de “Taxi Driver”, “Raging Bull”, “Afterhours”, “Goodfellas”, títulos que ocupam o seu olimpo artístico.
“Gangs of New York”, um épico sobre a formação da cidade, projeto que o diretor almejava desde a década de 70, teve boa parte de sua história cortada por exigencia do estúdio, o que afetou seu desenvolvimento na segunda metade do filme.Já “The Aviator”, projeto do ator Leonardo Di Caprio, que convidou Scorsese para concretizá-lo, sobre o excentrico milionário Howard Hughes, sofria de uma certa fraqueza no roteiro, e com Di Caprio não convencendo no papel principal.O único destaque foi a atriz Cate Blanchett, que ganhou um Oscar por sua atuação como Katherine Hepburn.
Agora com sua nova empreitada, de 140 minutos, Martin mostra um arrojo e domínio total de todos os elementos do filme.E não seria exagero alçá-lo à condição de seu melhor longa nos últimos dez anos.A história é a seguinte.Frank Costello (Jack Nicholson, soberbo) é um criminoso barra-pesada, manda-chuva do subúrbio de Boston.Ele comanda e aterroriza a todos e ao mesmo tempo forma garotos com a intensão de transformá-los em futuros capangas.Um deles é Colin Sullivan(Matt Damon), que mais tarde se torna sargento de polícia, garantindo assim que as transações ilícitas de Costello sejam sempre bem sucedidas.
Numa outra divisão da força policial, William Costigan ( Leonardo Di Caprio), um membro da academia aspirante à tira tem suas chances de integrar a corporação reduzidas a apenas uma, como infiltrado no bando de Costello, dando informações sobre uma grande transação envolvendo a venda de microprocessadores à China para a fabricação de mísseis, que finalmente possibilitará a prisão do bandido.
Costigan é o infiltrado da polícia na organização criminosa.Sullivan é o do bando criminoso dentro da polícia.A partir do momento em que as duas organizações descobrem que há um intruso em seu meio começa a caçada.Mas entrementes Costigan descobre que Costello também pode ser um informante, e do FBI, o que explicaria o porque de sempre sair ileso em todas as tentativas de prisão efetuadas pela polícia.
Os sinais estão trocados, os policiais são grosseiros e agem como os marginais, e o marginal, gosta de ópera e tem hábitos refinados.Costigan, o informante da polícia vem de uma família cheia de problemas com a lei e Sullivan, um dos melhores quadros da força policial foi formado às custas do submundo do crime.
Jack Nicholson está está estupendo no papel de Frank Costello.Ao contrário de suas últimas aparições meio caricatas, aqui ele mostra toda a sua grandiosidade e compõe um dos mais abomináveis vilões do cinema contemporaneo.Sua voz é daquelas que fazem uma criança querer dormir de luz acesa por um bom tempo.Nicholson torna-se candidatíssimo a mais uma indicação ao Oscar (e se isso acontecer será um dos favoritos a ganhá-lo pela quarta vez).Leonardo Di Caprio também se redime de sua fraca atuação em “Aviator” e finalmente convence como “young-tough-guy”.Chegamos a nos compadecer com os seus sofrimentos físicos impingidos por Costello a fim de testar sua lealdade.E há tempos não se via um personagem tão cínico e odioso quanto o de Matt Damon.O típico iceberg ambulante, audacioso mesmo quando corre o risco de ser desmascarado.
Novamente os grandes clássicos do rock pontuam o filme (“Gimme Shelter”, dos Rolling Stones, “Well Well Well”, de John Lennon) mas não tanto como em “Goodfellas”ou “Casino”.Em certos momentos o silencio é mais pesado do que qualquer guitarra, baixo e bateria.
E a escolha do título em portugues mostrou-se ao final acertada.”Os Infiltrados”, dando ênfase a outro aspecto da história,é um bom substituto ao original “The Departed”, algo como “os desaparecidos”ou “os falecidos”, expressão usada correntemente em funerais americanos para nomear “os que se foram”.
O filme é tão bom que nem parece um “remake”, do filme chinês “Infernal Affairs”, dirigido por Siu fai mak.
“Os Infiltrados”certamente receberá indicações ao Oscar no ano que vem e tem grandes chances de levar os principais premios (filme, diretor, ator) e se isso acontecer será a prova, pelo menos no caso do diretor Martin Scorsese, de que a justiça tarda mas não falha.
“Gangs of New York”, um épico sobre a formação da cidade, projeto que o diretor almejava desde a década de 70, teve boa parte de sua história cortada por exigencia do estúdio, o que afetou seu desenvolvimento na segunda metade do filme.Já “The Aviator”, projeto do ator Leonardo Di Caprio, que convidou Scorsese para concretizá-lo, sobre o excentrico milionário Howard Hughes, sofria de uma certa fraqueza no roteiro, e com Di Caprio não convencendo no papel principal.O único destaque foi a atriz Cate Blanchett, que ganhou um Oscar por sua atuação como Katherine Hepburn.
Agora com sua nova empreitada, de 140 minutos, Martin mostra um arrojo e domínio total de todos os elementos do filme.E não seria exagero alçá-lo à condição de seu melhor longa nos últimos dez anos.A história é a seguinte.Frank Costello (Jack Nicholson, soberbo) é um criminoso barra-pesada, manda-chuva do subúrbio de Boston.Ele comanda e aterroriza a todos e ao mesmo tempo forma garotos com a intensão de transformá-los em futuros capangas.Um deles é Colin Sullivan(Matt Damon), que mais tarde se torna sargento de polícia, garantindo assim que as transações ilícitas de Costello sejam sempre bem sucedidas.
Numa outra divisão da força policial, William Costigan ( Leonardo Di Caprio), um membro da academia aspirante à tira tem suas chances de integrar a corporação reduzidas a apenas uma, como infiltrado no bando de Costello, dando informações sobre uma grande transação envolvendo a venda de microprocessadores à China para a fabricação de mísseis, que finalmente possibilitará a prisão do bandido.
Costigan é o infiltrado da polícia na organização criminosa.Sullivan é o do bando criminoso dentro da polícia.A partir do momento em que as duas organizações descobrem que há um intruso em seu meio começa a caçada.Mas entrementes Costigan descobre que Costello também pode ser um informante, e do FBI, o que explicaria o porque de sempre sair ileso em todas as tentativas de prisão efetuadas pela polícia.
Os sinais estão trocados, os policiais são grosseiros e agem como os marginais, e o marginal, gosta de ópera e tem hábitos refinados.Costigan, o informante da polícia vem de uma família cheia de problemas com a lei e Sullivan, um dos melhores quadros da força policial foi formado às custas do submundo do crime.
Jack Nicholson está está estupendo no papel de Frank Costello.Ao contrário de suas últimas aparições meio caricatas, aqui ele mostra toda a sua grandiosidade e compõe um dos mais abomináveis vilões do cinema contemporaneo.Sua voz é daquelas que fazem uma criança querer dormir de luz acesa por um bom tempo.Nicholson torna-se candidatíssimo a mais uma indicação ao Oscar (e se isso acontecer será um dos favoritos a ganhá-lo pela quarta vez).Leonardo Di Caprio também se redime de sua fraca atuação em “Aviator” e finalmente convence como “young-tough-guy”.Chegamos a nos compadecer com os seus sofrimentos físicos impingidos por Costello a fim de testar sua lealdade.E há tempos não se via um personagem tão cínico e odioso quanto o de Matt Damon.O típico iceberg ambulante, audacioso mesmo quando corre o risco de ser desmascarado.
Novamente os grandes clássicos do rock pontuam o filme (“Gimme Shelter”, dos Rolling Stones, “Well Well Well”, de John Lennon) mas não tanto como em “Goodfellas”ou “Casino”.Em certos momentos o silencio é mais pesado do que qualquer guitarra, baixo e bateria.
E a escolha do título em portugues mostrou-se ao final acertada.”Os Infiltrados”, dando ênfase a outro aspecto da história,é um bom substituto ao original “The Departed”, algo como “os desaparecidos”ou “os falecidos”, expressão usada correntemente em funerais americanos para nomear “os que se foram”.
O filme é tão bom que nem parece um “remake”, do filme chinês “Infernal Affairs”, dirigido por Siu fai mak.
“Os Infiltrados”certamente receberá indicações ao Oscar no ano que vem e tem grandes chances de levar os principais premios (filme, diretor, ator) e se isso acontecer será a prova, pelo menos no caso do diretor Martin Scorsese, de que a justiça tarda mas não falha.