Saturday, December 30, 2006
Um Futuro Incerto

A década de 60 foi um período riquíssimo para o cinema brasileiro.Talvez possa-se considerá-lo como o auge em criatividade e diversidade de títulos.Havia o grupo de cineastas representativos do chamado “Cinema Novo”(Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Ruy Guerra, Joaquim Pedro de Andrade, Walter Lima Jr., etc.),todos tendo como base o Rio de janeiro, apesar de nem todos serem cariocas.Haviam os que ambientavam seus filmes no Rio mas não faziam parte do grupo (Roberto Farias, J.B. Tanko, Domingos de Oliveira) e havia os cineastas paulistas, não alinhados em movimento algum, cada um deles com sua independencia não só em relação ao Cinema Novo como também entre si.
Alguns deles: Walter Hugo Khouri ( “Noite Vazia”, “O Corpo Ardente”), Roberto Santos (“O Grande Momento”, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”), José Mojica Marins e seu alter-ego Zé do Caixão (“À Meia-Noite Levarei Tua Alma”, “Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver”) e Luis Sérgio Person (“São Paulo S/A”, “O Crime dos Irmãos Naves”).
“São Paulo S/A” foi lançado em 1965, portanto um ano depois do golpe militar que instituiu a ditadura.Ainda não vigia a censura iniciada a partir de 1968, com o AI-5, o que significa que os artistas ainda podiam se expressar com uma certa liberdade.
O filme conta a história de Carlos (Walmor Chagas), um metalúrgico empregado da Volkswagen, classe média, materialista, sem ilusões romanticas.Carlos mantém um acordo com seu amigo Arturo (Otello Zelloni), que indicado por ele, fornece peças de reposição para a empresa.Um dia, o esquema é descoberto e Carlos, demitido.
Paralelo à sua vida profissional, a pessoal também não é muito estável.Carlos namora Ana ( Darlene Glória), uma loira linda e sedutora, que mais do que ficar com ele, quer mesmo é curtir a vida sem compromissos, seja com quem for.Ela o abandona e ele encontra Ilda.Intelectual e hedonista, se envolve com Carlos mesmo sabendo que o caso não duraria muito.A incompatibilidade de interesses leva-os à separação.Carlos era fútil e ignorante demais para ela.
Depois surge a doce Juliana (Eva Wilma), moça de família, que não se entrega a ele facilmente, ao contrário do que esperava.Pois para si as mulheres eram todas iguais, e os homens também.A recusa dela acaba fazendo com que o interesse dele aumente cada vez mais a ponto de aceitar o casamento.Eles se casam, tem um filho, Carlos começa a trabalhar na empresa recém inaugurada de Arturo, que consegue ascender no ramo industrial por meio de propinas e outras maracutaias.
Carlos não é feliz,sente-se farto de tudo e de todos, do trabalho, de Juliana, das obrigações como pai e como empregado.Age não por convicção simplesmente segue as regras de um jogo que o entedia.E há a cidade de São Paulo, com seu progresso, suas imposições, a necessidade de ganhar dinheiro, de falar ingles, de arranjar uma amante, de travar relações com pessoas intragáveis.Carlos sente-se esmagado, a cidade o cerca por todos os lados, a selva de concreto por onde ele perambula sem direção certa, como que perdido ou querendo se perder em meio às ruas e passantes.
Chama a atenção nas imagens da cidade nos anos 60, como certas características continuam atuais.A pobreza nas praças, os pregadores evangélicos gritando, a catarse da vida noturna.São Paulo já era uma metrópole e já não atendia a toda a população em suas necessidades básicas.E no entanto ela é bonita.E o preto e branco é perfeito para retratar essa história pois integra tudo e todos num só cenário.As pessoas, os carros, prédios, todos fazem parte do cenário, todos são a cidade de São Paulo.
Mas Carlos quer ir embora, quer deixar a cidade.Rouba um carro e some, sem destino, preocupado apenas em fugir.Abandona o carro no meio de uma estrada de terra e pega carona num caminhão.Contudo para o seu azar o veículo o leva de volta para o lugar de onde ele havia fugido.A cidade o traga, o puxa de volta como um ímã, mesmo que ele não queira.Ve-se forçado a recomeçar, a aceitar, a se resignar com sua situação.
“São Paulo S/A”apresenta influencias tanto da “Nouvelle Vague” quanto do neo-realismo italiano ou do cinema de Antonioni.A história é contada de forma não linear, descontínua, em flash-backs que se intercalam com o momento presente de Carlos.Sabe-se o que viveu e o que resultou de seu passado.Mas o seu futuro (assim como o da cidade de São Paulo) é totalmente incerto.
Alguns deles: Walter Hugo Khouri ( “Noite Vazia”, “O Corpo Ardente”), Roberto Santos (“O Grande Momento”, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”), José Mojica Marins e seu alter-ego Zé do Caixão (“À Meia-Noite Levarei Tua Alma”, “Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver”) e Luis Sérgio Person (“São Paulo S/A”, “O Crime dos Irmãos Naves”).
“São Paulo S/A” foi lançado em 1965, portanto um ano depois do golpe militar que instituiu a ditadura.Ainda não vigia a censura iniciada a partir de 1968, com o AI-5, o que significa que os artistas ainda podiam se expressar com uma certa liberdade.
O filme conta a história de Carlos (Walmor Chagas), um metalúrgico empregado da Volkswagen, classe média, materialista, sem ilusões romanticas.Carlos mantém um acordo com seu amigo Arturo (Otello Zelloni), que indicado por ele, fornece peças de reposição para a empresa.Um dia, o esquema é descoberto e Carlos, demitido.
Paralelo à sua vida profissional, a pessoal também não é muito estável.Carlos namora Ana ( Darlene Glória), uma loira linda e sedutora, que mais do que ficar com ele, quer mesmo é curtir a vida sem compromissos, seja com quem for.Ela o abandona e ele encontra Ilda.Intelectual e hedonista, se envolve com Carlos mesmo sabendo que o caso não duraria muito.A incompatibilidade de interesses leva-os à separação.Carlos era fútil e ignorante demais para ela.
Depois surge a doce Juliana (Eva Wilma), moça de família, que não se entrega a ele facilmente, ao contrário do que esperava.Pois para si as mulheres eram todas iguais, e os homens também.A recusa dela acaba fazendo com que o interesse dele aumente cada vez mais a ponto de aceitar o casamento.Eles se casam, tem um filho, Carlos começa a trabalhar na empresa recém inaugurada de Arturo, que consegue ascender no ramo industrial por meio de propinas e outras maracutaias.
Carlos não é feliz,sente-se farto de tudo e de todos, do trabalho, de Juliana, das obrigações como pai e como empregado.Age não por convicção simplesmente segue as regras de um jogo que o entedia.E há a cidade de São Paulo, com seu progresso, suas imposições, a necessidade de ganhar dinheiro, de falar ingles, de arranjar uma amante, de travar relações com pessoas intragáveis.Carlos sente-se esmagado, a cidade o cerca por todos os lados, a selva de concreto por onde ele perambula sem direção certa, como que perdido ou querendo se perder em meio às ruas e passantes.
Chama a atenção nas imagens da cidade nos anos 60, como certas características continuam atuais.A pobreza nas praças, os pregadores evangélicos gritando, a catarse da vida noturna.São Paulo já era uma metrópole e já não atendia a toda a população em suas necessidades básicas.E no entanto ela é bonita.E o preto e branco é perfeito para retratar essa história pois integra tudo e todos num só cenário.As pessoas, os carros, prédios, todos fazem parte do cenário, todos são a cidade de São Paulo.
Mas Carlos quer ir embora, quer deixar a cidade.Rouba um carro e some, sem destino, preocupado apenas em fugir.Abandona o carro no meio de uma estrada de terra e pega carona num caminhão.Contudo para o seu azar o veículo o leva de volta para o lugar de onde ele havia fugido.A cidade o traga, o puxa de volta como um ímã, mesmo que ele não queira.Ve-se forçado a recomeçar, a aceitar, a se resignar com sua situação.
“São Paulo S/A”apresenta influencias tanto da “Nouvelle Vague” quanto do neo-realismo italiano ou do cinema de Antonioni.A história é contada de forma não linear, descontínua, em flash-backs que se intercalam com o momento presente de Carlos.Sabe-se o que viveu e o que resultou de seu passado.Mas o seu futuro (assim como o da cidade de São Paulo) é totalmente incerto.