Thursday, November 30, 2006

O Lado B da China


Nada como uma novidade.Nada como constatar que existe vida criativa no cinema.Quem já tinha ouvido falar de "La Stella Che Non C'é" ( A Estrela que não é),belíssimo filme italiano dirigido por Gianni Amelio lançado este ano mesmo?Pois quem não viu perdeu a uma tremenda chance de conhecer um dos melhores filmes feitos neste planeta Terra no ano corrente.

E vamos ao menos importante:a história.Vincenzo Buonavolontá(Sergio Castellitto) é um encarregado do maquinário de uma fábrica italiana que fecha e vende seu alto-forno para empresários chineses.Ele identifica um defeito na máquina e tenta ,sem sucesso alertar os compradores dos olhos puxados mas nem com o auxílio de uma intérprete consegue seu intento.De madrugada, em casa, ele acha uma solução para o tal defeito que poderá por em risco as vidas de futuros empregados.Mas, ao chegar no local onde a usina abandonada abrigava o alto-forno, descobre que este já havia sido levado para a China.O que fazer?Vincenzo resolve viajar até lá, descobrir para onde levaram o alto-forno e resolver tudo.Fácil,não?

Bem, ele não fala chinês, portanto, é imprescindível a presença de um tradutor.E por acaso Buonavolontá encontra a tradutora(Tai Ling) que ele havia destratado quando tentou alertar os chinas do defeito no forno.Ela está magoadíssima com ele, e com razão, sentindo-se desonrada em seu trabalho, ainda mais, que por causa do acontecido, foi demitida.Vincenzo tenta remediar a situação convidando-a para acompanhá-lo até o país natal da tradutora.Ela no início reluta mas depois concorda,e afinal, ainda poderá visitar sua família.

E lá se vão os dois, primeiro a Pequim, depois pelo interior da China, aos trancos e barrancos, de trem, de barco, de carona, tentando achar a usina que recebeu o alto-forno maldito.

Bem, essa é a história.E o resto?Ou melhor, "todo" o resto?Todo o restante são as belíssimas imagens do interior de um país que ascende economicamente cada vez mais alto mas que não consegue resolver todos os problemas de sua população.Existe a pobreza, existe a injustiça, a incapacidade de moradias decentes para todos, e o velha imposição sobre o número de filhos que um casal pode ter, a vergonha que recai a jovens solteiras que engravidam, o "progresso" que desfigura regiões naturais, a poluíção e as crianças pobres, e são muitas.

Aos poucos, com as dificuldades aumentando Vincenzo quase não vê esperanças de encontrar a usina.Está cansado, doente e acha que o melhor que sua jovem tradutora faria seria abandoná-lo naquela viagem que cada vez mais se mostra inútil.


La Stella Che Non C'é pode ser considerado o "lado B" de uma potência como a China, mas sem dúvida representa o "lado A" do novo cinema italiano.

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