Monday, August 21, 2006
Eu Só Queria Entender!

Quando comecei a assistir à Syriana tive a impressão de que tratava-se de um filme diferente, cuja abordagem diferiria dos demais longas americanos ditos “sérios “,como Munique, por exemplo.Percebi a história que se delineava, a fusão de duas grandes companias de petróleo, a ameaça de corte de funcionários, o papel do governo americano na coisa toda, a atuação do personagem de George Clooney, que num momento se reúne com secretários do governo e em outro acerta eliminações de outras pessoas.Enfim, um thriller político denso, tratando de um assunto atual, num local crítico (Oriente Médio), com elementos que tem tudo a ver com o noticiário das TVs e jornais do dia-a-dia.Além do que havia dado um Oscar a George Clooney, portanto não era uma produção banal qualquer.
Acontece que aos poucos fui perdendo o fio da meada, não entendendo certos meandros da história, as situações foram ficando cada vez mais nebulosas e sem explicação, o tom de voz balbuciante de todos os personagens começou a me impacientar e logo me deu aquela vontade de acelerar o filme pois já estava de saco cheio daquilo tudo.
A impressão que tenho hoje é a de ter visto um filme sem diálogos.Toda a comunicação entre os personagens parecia vir apenas do olhar entre eles,ou de gestos, as frases são monossilábicas, há menção a personagens que até agora eu não sei quem são (o tal de Dalton, por exemplo, quem é esse cara?).Por que o pai do tal contador de óculos e bigode vive sentado na porta de casa?Por que os dois não se dão bem?O personagem do Matt Damon estava à serviço de quem?Queria prejudicar ou ajudar os árabes?O George Clooney trabalhava pra quem?Pro governo ou pra uma das empresas?Ou para os dois?E por que de repente ele passou a ser perseguido?Por que o William Hurt apareceu do nada como uma espécie de conselheiro do Clooney?Quem era ele?De onde eles se conheciam?
Se alguém me perguntar do que trata Syriana, eu simplesmente vou dizer : não sei.Não entendi nada.Ou eu sou muito burro ou esse filme não soube passar direito sua informação.E olha que eu adoro thrillers políticos, um dos meus favoritos é (obviamente) Todos Os Homens do Presidente, mas também adorei Z, Marathon Man, Cinco Dias do Condor, O Dia do Chacal e mais uns outros.
Talvez seja mesmo a primeira opção pois a crítica foi só elogios ao filme e Clooney acabou ganhando o Oscar de coadjuvante.Aliás, não sei por que pois o personagem dele é essencial no filme todo.Se bem que não acho que tenha feito um grande trabalho.Certamente ganhou só por ter engordado pra fazer o papel.Americanos adoram esse tipo de coisa que pra mim só teve relevancia quando foi feito por Robert De Niro em Touro Indomável e Os Intocáveis.
Agora, pra não dizerem que eu não aprecio os filmes “difíceis”.No dia seguinte assisti à 21 Gramas, do Alejandro Iñarritu, na TV Record.Quando percebi a montagem descontínua , que misturava passado, presente e futuro dos personagens pensei: ih, lá vem mais um daqueles filmes metidos a besta, que deixam a história em segundo plano em prol de pirotecnias de edição.
Mas aos poucos fui sendo conquistado pelas atuações sensacionais de Sean Penn, Naomi Watts e Benicio Del Toro.E ao longo do filme ficou claro como a forma não ortodoxa de montagem não prejudicou a compreensão da trama e de toda a tensão nela envolvida.
Em rápidas pinceladas: o personagem de Sean Penn precisa de um transplante de coração.Depois de uma longa espera e com ele já agonizando, o hospital consegue um doador.É o órgão de um homem que havia sido atropelado pelo personagem de Del Toro.Naomi Watts é a mulher desse tal atropelado, que, claro, enviúva.Com o tempo Penn começa a sentir um desejo de conhecer seu doador e inevitavelmente chega até a linda e dasatinada Naomi, que por conta da tragédia havia voltado a beber e usar drogas.Os dois se apaixonam, Penn larga a esposa que havia iniciado um processo de inseminação artificial e fica com a loira Watts.Juntos acabam descobrindo o paradeiro de Del Toro que havia se entregado à polícia e pago a pena de prisão, mas se afastou da família após ser solto por não aguentar a culpa pelo ocorrido.Também se afunda no álcool e no sentimento de ter sido abandonado por Deus, ele era um católico fervoroso.Watts convence Penn de que Del Toro deve morrer, ela não conseguiu esquecer o marido e os filhos mortos no acidente.
O Filme é de 2003 e serve de exemplo de como é possível fazer um cinema inventivo, denso mas compreensível a gente de mentalidade mediana como eu, por exemplo.